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A Valorização e Inclusão
Social do Idoso


Wellington Pereira de Oliveira*

A proposta de prolongar a vida das pessoas é coerente desde que seja consolidada com a promessa de desfrutar melhor qualidade de vida neste período de sobrevida que cada indivíduo receberá. Porém, o que se vê é a rejeição, o desrespeito e a exclusão social dos indivíduos da melhoridade.

Torna-se necessário aproveitarmos o momento propício em que nos encontramos, pois a maior produção mundial de alimentos, os avanços da ciência e medicina, a evolução tecnológica são norteadores do aumento paulatino da expectativa de vida dos seres humanos.

Os estudos também têm-nos mostrado que os idosos não perdem sua capacidade funcional se preparados com atividades físicas e mentais.

É necessário que estas atividades sejam observadas com certos critérios, pois atualmente elas são aplicadas com pouco ou quase nenhum controle na maior parte das instituições assistenciais, academias de ginástica e outras entidades.

Em pesquisa recente que realizamos tivemos a oportunidade de observar que o maior número de idosos praticantes de exercícios físicos em Goiânia eram mulheres. Nas instituições assistenciais a atividade física mais praticada por elas é a dança de salão (não podemos esquecer o perfil social e lúdico que esta atividade folclórica representa para este público), nas academias de ginástica a mais praticada é a hidroginástica (este número é bem representado pelas indicações médicas) enquanto que possuímos um grupo de autores que confirmam em seus estudos que o treinamento contra-resistência (muito conhecido por todos nós como musculação) é o mais eficiente e seguro para esta faixa etária.

Procuramos por alguns testes validados cientificamente e nos decidimos por aplicar o teste "sentar/levantar" de Lira e Araújo, visto que esta atividade de vida diária requer muito mais força, equilíbrio e destreza que grande parte das outras atividades executadas durante o dia pelo idoso. A parte dos resultados em que a musculação superou os outros grupos não nos impressionou, porém a situação dos grupos de dança de salão e hidroginástica superarem muito discretamente o grupo de mulheres sedentárias nos chamou a atenção para o fato de que talvez fosse a hora de estudarmos melhor a indicação de certas atividades físicas para os idosos.

É importante salientar que, muitas das vezes, o idoso não necessita somente de força, equilíbrio, resistência e destreza, mas também de carinho, atenção, cuidados, lazer e contato social, auto-estima, o que muitas outras atividades podem colaborar muito nestes aspectos.

Cabe a nós, profissionais da saúde, nos organizarmos para melhor receitar estas atividades físicas. Investigando melhor o estado de saúde física e mental em que se encontra o idoso, seu nível de dependência, suas necessidades, seus anseios, seus temores, para assim, melhor estruturarmos programas de saúde com equipes interdisciplinares que sejam verdadeiramente dedicados aos nossos idosos.

O exercício físico é como um medicamento que deve ser administrado em doses adequadas para cada indivíduo e cada organismo possui uma resposta diferente ao exercício (chamamos de individualidade biológica). Assim, cada pessoa tem um tipo de exercício na quantidade semanal mais indicada para as suas necessidades. Nada de excessos! Se na medicina existe a "overdose", na educação física existe o "overuse" (lesões por uso excessivo).

Como uma previdência, os programas de saúde deveriam ser programados para preparar e qualificar estes indivíduos visando a inclusão social e não exclusão dos que alcançassem esta faixa etária. Para que o idoso não seja mais candidato a prêmios como traumas, doenças, fragilidade, isolamento familiar e social, institucionalização e esquecimento, sofrimento e óbito. Vejo como é importante o papel dos geriatras e gerontólogos no resgate do importante papel do idoso em nossa sociedade, melhorando as relações pessoais e profissionais com suas ações e exemplos.

Agora imagine-se bem velhinho. Como você poderá garantir o seu futuro se não se preparar para a sua velhice?

Então façamos já a nossa pequena parcela neste processo de resgate de valores. Se cada um de nós fizer o pouco que nos cabe, já será o bastante para vivermos com a garantia de um futuro melhor.


*Wellington Pereira de Oliveira é professor de Educação Física e Saúde e Musculação do Departamento de Educação Física e Desportos da UCG

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