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Ocupação começa
há 10 mil anos em Goiás

Urna funerária encontrada em Goiânia "A área que corresponde hoje ao Estado de Goiás começou a ser ocupada há pelo menos 10.000 anos . Sucessivas populações de caçadores-coletores e horticultores vão dominar essa extensão região por cerca de 550 gerações, até que os colonizadores portugueses começam a chegar, nos séculos XVI e XVII, o que vai resultar, de imediato ou ao longo do tempo, na extinção de inúmeros daqueles grupos humanos (por massacres, guerras ou doenças) ou na transformação radical dos modos de vida dos grupos sobreviventes"*.

"Uma das primeiras incursões destes colonizadores em território goiano vai ser a bandeira paulista de Sebastião Marinho, em 1592, que, em seu trajeto, passou pelas nascentes do Rio Tocantins. Diversas bandeiras vão se seguir a dele, mas somente mais de um século depois, com o fracasso da escravidão indígena e a confirmação de que eram fabulosas as minas de ouro nos Gerais e em Cuiabá - e, uma década depois, em Goiás, por meio de Bartolomeu Bueno da Silva, o Filho - é que os colonizadores, acompanhados de negros e mestiços, estes ancestrais dos morenos, talvez os primeiros "brasileiros da gema", vão começar a se fixar nesse vasto território. Era por volta 1727 e um novo mundo estava sendo "inaugurado", do qual a fundação oficial da Vila Boa de Goiás vai ser a pedra fundamental.

Encontro entre viajantes brancos e indígenas, segundo Burchell Confirmada uma certa abundância de ouro ali, imediatamente todo o território goiano começou a ser vasculhado pelos bandeirantes. "Quase ao mesmo tempo, na região já voltada para o norte pela presença do grande rio, descobriam-se as 'minas dos Tocantins', tão ricas que ao criar-se o imposto de capitação foi-lhes determinada uma taxa muito mais alta por escravo. É a região de maior densidade mineira: Maranhão (1730), Água Quente (1732), Traíras (1735), São José (1735), Cachoeira (1736)" (Palacin, 1979: 27).

A ocupação também acontecia no Vão do Paranã, área de intersecção entre Goiás e Bahia e porta de acesso aos currais do Rio São Francisco, cujos senhores buscavam novos pastos para o gado e para isso fundavam fazendas e povoados, como Flores, tida por Cunha Mattos como um dos lugares "mais doentios do universo".

Enquanto acontecia esse movimento de ocupação da terra, incluindo o mapeamento e o batismo dos pontos geográficos como serras e rios, negros fugidios fundavam, já na estréia da civilização ibérica na América Goiana, os primeiros quilombos da região, notadamente o de Papuã, nas minas do Tocantins, e o "sistema" Kalunga, distribuído da Serra Geral de Goiás à Chapada dos Veadeiros. O primeiro seria extinto e o segundo, que mantém-se até hoje, obviamente durou mais que as minas e os povoados que os geraram e chegou aos dias de hoje como "patrimônio vivo". Na prática, segundo Palacín, para cada mina de ouro, havia um povoado e, para cada povoado, um quilombo.

Além da perseguição a quilombos, a ocupação feita por garimpos de ouro e fazendas de gado vai praticamente destruir ou forçar a imigração de inúmeros grupos indígenas. De tantas nações e de milhares de indivíduos, restaram hoje cinco avá-canoeiros, 70 karajás e 120 tapuias em território goiano, o que mostra que a colonização, antes de tudo, foi um processo contínuo de violência e desrespeito.

Mapa do Brasil antigo com Goiás Com a gradativa redução na produção de ouro, em Goiás, inicia-se um declínio econômico, que faria a população dos centros urbanos se dispersar no meio rural ou mudar-se para outros lugares. Esse período, que vai se situar do final do século 18 até fins do século 19, vai ser identificado pelos viajantes e naturalistas estrangeiros como "decadência". Se ouro teve seu auge e decadência em menos de um século, a ocupação feita por grandes fazendas de gado vai seguir ininterrupta e passará a caracterizar a principal atividade econômica de Goiás e, ao lado da vida religiosa católica popular, vai constituir o alicerce da cultura regional. Assim, com a pecuária e a agricultura crescentes, o Estado de Goiás vai entrar no século XX e somente após a construção da estrada de ferro, na década de 1910, ligando a região ao sudeste do Brasil é que as condições econômicas, políticas e sociais começam a mudar.

A principal ruptura seria, contudo, com a Revolução de 1930, de Getúlio Vargas, que afastaria, relativamente, as antigas oligarquias políticas e criaria condições para um outra oligarquia, desta vez ligada a Pedro Ludovico Teixeira, que como interventor e governador levaria Goiás ao que se chamava "modernidade". A principal de suas ações foi a fundação de Goiânia, gesto de consolidação da expansão nacional, marcada pela Marcha para o Oeste e que seria concretizada, de vez, com a construção da nova capital federal, Brasília, no Planalto Goiano, que, significou, antes de tudo, a abertura de novas estradas e mercados.

A situação de privilégio agropecuário continuaria, mas, a partir das décadas de 1960 e 1970, grandes investimentos vão incluir, de novo, a mineração entre as atividades econômicas relevantes do Estado. A partir desta época, a agricultura começa a se modernizar, novas tecnologias de plantio surgem para o cerrado e agroindústria inicia uma fase de expansão. Neste início de século XXI, a agropecuária mantém-se como carro-chefe da economia goiana, mas o setor industrial vem se expandido a ritmo acelerado, enquanto o setor de serviços, incluindo o turismo, consolida-se em todas as frentes e abre novas e amplas perspectivas para um Estado cada vez melhor.


Referências bibliográficas

-Chaul, Nasr Fayad. Caminhos de Goiás - Da Construção da Decadência aos Limites da Modernidade. Goiânia: Editora UCG, Editora UFG, 1997.

-Palacin, Luís, Moraes, Maria Augusta de Sant'Anna. História de Goiás. Goiânia: Editora UCG, 1989.

-Silva, Paulo José da. História, Memória e Patrimônio Cultural no Povoado de São Jorge (monografia de mestrado). Goiânia: UCG, 2003.