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Universidade
UCG faz homenagem
ao artista D. J. Oliveira

Valéria Oliveira, filha do homenageado, prestigia o evento
(18/10/2005) - Os 50 anos de carreira artística do pintor D. J. Oliveira estão sendo lembrados pela Universidade Católica de Goiás, que, neste dia 17, abriu exposição de seus trabalhos no Espaço Cultural da Área 3 da UCG, como parte das comemorações dos 46 anos da Universidade. Veja mais fotos.
"Didática: Bastidores da Criação de Gravura", que permanecerá naquele local até o dia 19 de novembro deste ano, traz uma das três linguagens praticadas pelo artista durante sua vida - a gravura, que teve papel de destaque no trabalho de Dirso José Oliveira, nome de batismo de D. J. Oliveira.
O reitor Wolmir Amado destacou o pioneirismo do artista, sua participação na Escola Goiana de Belas Artes, que precedeu a criação da Católica, e que a exposição, integrando as comemorações do aniversário da UCG, expressa uma das dimensões da Universidade e seu compromisso com a sociedade, somando nas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Falaram, ainda, o presidente da Agência Goiana de Cultura, Nasr Chaul, e a coordenadora do Programa Cultural, da Pró-Reitoria de Extensão e Apoio Estudantil da UCG (Proex), Annunziata de Oliveira.
Intimidade da criação
A iniciativa expõe um pouco da intimidade da criação dessa linguagem do artista. "A intenção é mostrar os desenhos, esboços e croquis como um dos procedimentos criativos mais importantes dele para fazer a obra", disse Edna Goya, da Curadoria da exposição. "Dar ênfase à criação é proporcionar uma outra maneira de se ter acesso à obra que não seja pelo objeto finalizado, mas pelos modos de ação do artista", completou.
A gravura é realizada numa diversidade de etapas, materiais, métodos e técnicas de impressão. A arte impressa exige inversão de desenho, ácidos para gravação de matriz e prensa para impressão de cópias. "A gravura exige seqüência de procedimentos e isso faz com que a arte impressa se diferencie de outras linguagens, como a escultura, o desenho e a pintura, em que o artista cria interferindo diretamente sobre uma base para produzir a obra", disse.
Opção por Goiás
Falecido no dia 23 de setembro deste ano, D. J. Oliveira deixou uma herança importante para as artes plásticas de Goiás. Contribuiu na formação de artistas como Siron Franco, Iza Costa, Roos, Ana Maria Pacheco, Vanda Pinheiro, Dinéia Dutra e José César, entre tantos outros. Em seus 50 anos de bons trabalhos, participou do processo de profissionalização da arte no Estado, ao lado de Nazareno Confaloni, Gustav Ritter, Cléber Gouveia e do professor Luiz Curado.
Para Edna Goya, ele não somente se deslocou de São Paulo para o Centro-Oeste e produziu obras, mas fez também opção política por Goiás, pela cultura do lugar e pelo material, pelo uso do ferro, a solução para a criação da gravura. Ele foi professor na Escola Goiana de Belas Artes, depois transformada em Faculdade de Artes e Arquitetura da Universidade Católica de Goiás, onde também lecionou e abriu um atelier que deu impulso à sua carreira e às artes em Goiás, por onde passaram os principais nomes, como Sáida Cunha e Amaury Menezes.
Quem é
Nascido em Bragança Paulista, SP, em 14 de novembro de 1932, e falecido em Goiânia, D. J. Oliveira já se considerava goiano, tendo chegado em 1956. De 1961 a 1972 lecionou Pintura, Desenho e Gravura na Escola Goiana de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás. Gravador, cenógrafo, figurinista, professor, desenhista e pintor, ele se definia "apenas e fundamentalmente um pintor".
Trabalhou com pintura e desenho publicitário, fazendo vitrines e cartazes; criou cenografias e figurinos para o Teatro de Emergência; na fase de mural, executou uma série de trabalhos nesse gênero para a UCG e Universidade Federal de Goiás, para a Embaixada da Tchecoslováquia, em Brasília, e para a Casa do Brasil, em Madri, Espanha, entre outros; e lançou vários álbuns de gravuras. Realizou oito exposições individuais - tendo a primeira delas sido realizada em Goiânia - e 27 coletivas, das quais resultaram vários prêmios.
D.J.Oliveira esteve sempre vinculado à figura, da qual nunca se afastou sequer um passo, como explica o crítico de arte Olívio Tavares Araújo, que enfatiza: "Sua proposta permanece no plano dramático. Fala, com uma linguagem de fundamentos expressionistas, das contingências atuais do ser humano: a perplexidade, o medo, a solidão, a inutilidade de certos esforços para a solução de seus problemas. E seu expressionismo vem mesclado de uma surda e contínua ironia, através da qual o pintor denuncia um mundo inclemente e insolúvel. (...) Sem ser um intelectual, possui ampla vivência visual, trazida de sua viagem à Europa, bem como sólidas noções de teoria. Seu processo de criação tem duas etapas: a primeira, instintiva, que se ocupa do tema; a segunda, racional, que o elabora em termos de composição. Nas obras mais recentes, a racionalidade se acentua, numa certa tendência à construção mais geometrizada e rígida do espaço. Nada disso altera, contudo, a natureza fundamental da proposta de Oliveira. Para ele, a obra de arte é o produto da emoção. E a ela se dirige, inevitavelmente, sem subterfúgios, sem saltos no escuro, sem o temor de ser apenas (mas sólida) pintura".
Foto: Weslley Cruz
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